• Margarida Marrucho

PISA 2018 – literacia digital vs conhecimento

Os resultados do PISA de 2018 dão-nos mais fôlego para prosseguirmos na mudança de paradigma da escola que iniciamos há uns anos atrás.

Sabemos que no 1.º ciclo adquirimos as bases da aprendizagem formal. Depois desenvolvem-se conhecimentos e especializam-se assuntos. Aprofunda-se a linguagem e o pensamento à medida que a maturidade avança e desbrava a infância que não queremos perder.


Um pormenor importante e pouco focado nas apreciações ao relatório do PISA de 2018 tem a ver com a literacia digital e o seu aumento desde 2015. É verdade que aumentou nos países da OCDE em que o PISA é aplicado. O relatório tem um capítulo que mais do que interessante por questões teóricas ou de mera retórica é de extrema importância: Getting ready for the digital world. O que dá aos alunos uma maior literacia digital? A possibilidade de aceder à internet e de ter milhares de respostas, opiniões, pareceres sobre o assunto que procuram. Algumas destas pesquisas até se podem contradizer. Como escolher como certa? Como distinguir a opinião do autor da verdadeira informação baseada em factos? Esta é uma questão a não descurar. O que o PISA de 2018 nos diz é que este aumento de acesso à internet não preveniu este ‘não ganho’ de conhecimento através desta ferramenta poderosa.



A esmagadora maioria dos alunos de todo o mundo, mesmo de economias fortes como as asiáticas, não conseguem interpretar nos textos que lêem, no sentido de conseguirem extrair a informação pedida, que pode contribuir para os seus conhecimentos, pois confundem-se com outras meras informações, como seja a própria opinião do autor. A questão é, com acesso livre a websites, blogs, entre outras formas de informação acessíveis a partir da internet, não há a garantia a quem navega, de que a informação a que acede é fundamentada em conceitos cientificamente comprovados. Necessita de constantemente fazer essa verificação consultando informação credível. Será a escola a ensinar estas técnicas aos alunos. É feita a referência no relatório PISA 2018, aos manuais adotados pelas escolas e homologados pelos Ministérios da Educação, onde o conhecimento que veiculavam era indiscutivelmente válido. Hoje assistimos à falta de necessidade de adotar manuais escolares, pois os recursos são imensos e limitarmos a aprendizagem a um manual é muito redutor. Muito bem. Mas será preciso distinguir opinião de factos, factos de informação, informação de conhecimento. Saber fazer este processo e ensinar os alunos a fazê-lo. A era tecnológica digital não tem retorno e traz-nos muitos desafios.



Dar um smartphone a uma criança e não lhe dar um livro para ler, é não contribuir para a sua formação integral. Os alunos precisam de aceder ao conhecimento verdadeiro, concreto, objectivo. Que desenvolva o seu pensamento e o espírito crítico, para poderem ter capacidade de serem cultos e instruídos e não apenas digitalmente actualizados. A escola é o principal veículo de conhecimento e cultura. E é o conhecimento e a cultura que cada individuo tem ou é capaz de produzir que faz a diferença e não a sua maior ou menor literacia digital. Este é um dos grandes desafios que o PISA nos dá. Como estamos de bibliotecas escolares?

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